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Tiróide: Existe Relação Com O Diabetes?

Fonte: CozinhaNet

Dra. Denise Reis Franco

Vocês já ouviram falar de uma glândula chamada tiróide? Mas o que ela tem a ver com o diabetes? A glândula tiróide é responsável por produzir hormônios que regularizam nosso metabolismo energético.

Existem estudos que comprovam que o número de pessoas com diabetes tipo 1 que também desenvolvem doenças da tireóide é muito grande. Portanto, é recomendada a necessidade de avaliação da função tiroidiana nos pacientes portadores de diabetes tipo 1 já no diagnóstico inicial da doença.

O diabetes tipo 1, que normalmente acomete crianças, adolescentes e adultos jovens, é uma doença autoimune em que ocorre destruição da célula beta do pâncreas levando a uma deficiência absoluta de insulina.

Os portadores de diabetes tipo 1 no período inicial do diagnóstico podem apresentar algumas “substâncias” no sangue (marcadores autoimunes) contra a célula beta. De 85 a 90% das pessoas com diabetes têm estas substâncias no início da doença. Muitos destes pacientes podem apresentar outros anticorpos não relacionados ao diabetes.

Então, como essa doença da tiróide poderá afetar nosso controle da glicemia?

A doença da tiróide pode ser apresentada de duas maneiras: o excesso de função, o hipertiroidismo, e a diminuição da função, o hipotiroidismo.

O hipertiroidismo é caracterizado pela elevação dos hormônios no sangue, o T3 e o T4, e a diminuição do hormônio produzido pela hipófise que estimula a tiróide a funcionar, o TSH. Como consequência, o paciente pode ter os seguintes sintomas: insônia, batedeira, queda de cabelo, pele úmida, sudorese, unha fraca, muita fome e perda de peso.

O aumento destes hormônios provoca a elevação na produção de glicose no organismo, que é jogada para a circulação. Em uma pessoa que não tem diabetes essa alteração é compensada pela produção de insulina, mas em quem tem diabetes isso pode significar piora do controle glicêmico.

No hipotiroidismo os hormônios da tiróide estão diminuídos ou no limite mínimo da normalidade e o hormônio da hipófise, o TSH, encontra-se elevado. O paciente apresenta sonolência, cansaço, pele seca, eventual queda de cabelo e pode ocorrer aumento do peso. O controle da glicose também pode ficar difícil, com maior incidência de episódios de hipoglicemia.

O hipotiroidismo provoca um acúmulo de gorduras no sangue (lípides), o que pode aumentar o risco de complicações do diabetes.

Por isso é tão importante investigarmos a possibilidade da associação da doença tiroidiana quando temos diabetes e, principalmente, quando estamos tendo dificuldade em ajustar a dose de insulina ou de manter nosso controle adequado.

O simples exame de TSH pode ser suficiente para detectarmos a presença de uma doença tiroidiana associada ao diabetes. Mesmo para aqueles que já têm hipotiroidismo ou hipertiroidismo é possível desta forma verificar se há necessidade de ajuste na dose da medicação de controle da tiróide e com isso auxiliar no da glicemia.

Dra. Denise Reis Franco é mestre em endocrinologia pela UNIFESP – EPM e membro do Conselho Consultivo da ADJ

Fonte: Novos Horizontes – Uma publicação trimestral da Associação de Diabetes Juvenil – ADJ / Ano 3 n°16

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