Digite uma palavra ou expressão:

Pesquise por letra:

Letra A Letra B Letra C Letra D Letra E Letra F Letra G Letra H Letra I Letra J Letra K Letra L Letra M
Letra N Letra O Letra P Letra Q Letra R Letra S Letra T Letra U Letra V Letra W Letra X Letra Y Letra Z

Problemas De Saúde Pública

Fonte: CozinhaNet

História Natural das Doenças

No final da década de 40 e início dos anos 50, houve o aparecimento de uma nova concepção de medicina que foi chamada de medicina preventiva. Esta tem por objetivo a promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos que são vistos como unidades biopsicosociais.

Diante disto, foi proposto um modelo da história natural das doenças, baseado nos seguintes princípios:
a) Qualquer enfermidade ou agravo à saúde é o resultado de um processo dinâmico que segue mais ou menos características de fases, isto é, um processo que segue mais ou menos um curso natural. Este processo desenvolve-se como resultado de múltiplas causas que afetam a interação entre agentes patológicos e hospedeiros em seu meio ambiente;
b) O processo evolutivo da doença é susceptível em muitos casos de interrupção, a fim de limitar seu desenvolvimento posterior;
c) Uma medida ou conjunto de medidas, que conseguem interromper o curso natural das doenças são consideradas medidas preventivas, qualquer que seja a fase da doença.

Para que seja recebido o estímulo que dará origem à doença ou ao agravo à saúde, torna-se necessária a existência prévia de toda uma estrutura da qual participam o agente, o hospedeiro e o ambiente. Assim sendo, na ocorrência de acidentes de trânsito, pressupõem-se circunstâncias que os possibilitem, como número excessivo de veículos, sistema de circulação deficiente, baixo nível educacional dos motoristas e pedestres, elevada concentração populacional e um rápido crescimento.

Posto isto, essa estrutura preexistente pode ser encarada como etapa inicial do processo que constitui o agravo ou doença e que é denominada período pré-patogênico. A este se segue a possibilidade de ocorrência do estímulo que irá desencadear o período patogênico, o qual, por sua vez, poderá ser imediato, como nos acidentes, ou mediato, como nas moléstias evolutivas. Neste último caso, ao estímulo, segue fase silenciosa sob o ponto de vista sintomático, mas, durante a qual, evoluem as reações orgânicas até chegarem a se exteriorizar através de manifestações clínicas. Trata-se do período de incubação incluído no período pré-clínico. Finalmente, sucede-se o período clínico, o qual poderá evoluir para uma de três condições: a cura, o defeito ou a morte. No caso do período patogênico imediato não se seguirá o período pré-clínico (etapa silenciosa).

Claro está que o estímulo que dará início ao processo de qualquer agravo à saúde tem sua origem na estrutura preexistente e pode ser representado pela atuação de um ou mais fatores que o compõem. 

Entende-se assim, que, do conhecimento dessas várias etapas, dependerão fundamentalmente o estudo e a utilização das medidas preventivas.

Histórico

Já na época do descobrimento do Brasil, existia a preocupação com a saúde pública, as doenças epidêmicas, como evitar a sua propagação e a fiscalização dos alimentos.

A primeira organização nacional de saúde pública no Brasil é datada de 1.808 estabelecida por D. João VI e criado o cargo de provedor-Mor de Saúde com a finalidade de vistoriar os portos, cuidando da quarentena, dos lazaretos para isolamento, pois a preocupação era grande com a disseminação de doenças.

A medicina e a prática da farmácia, também eram fiscalizadas com muita dificuldade, pois sendo um país extenso, até hoje no Brasil é difícil colocar em prática uma política sanitária.

Sempre lutando contra as epidemias foi criado o Instituto Vacínico do Império em 1.846, que exigia a desinfecção dos mortos por doenças contagiosas. Alguns anos depois surgiu a Junta Central de Higiene Pública que vistoriava as embarcações, boticas, mercados e lugares suspeitos que pudessem trazer danos à saúde pública.

Nesta época, o Rio de Janeiro tinha um alto índice de doenças contagiosas como a varíola, a malária, febre amarela e a peste. A situação da saúde desde 1.860 até o início do século XX não era muito animadora, estava-se enfrentando um período difícil, uma verdadeira calamidade pública.

Enfrentando esses problemas, surge em 1.906, Oswaldo Cruz, que introduziu conceitos novos sobre Epidemiologia e Profilaxia, na luta contra as doenças transmissíveis. Foi a nova era para a higiene nacional com destaque para trabalhos de equipe liderados por Emílio Ribas e Vital Brasil.

Criou-se uma Diretoria Geral de Saúde Pública, o Laboratório Bacteriológico, a Engenharia Sanitária e a Seção Demográfica.

O serviço de Profilaxia da Febre Amarela revolucionou os métodos profiláticos na luta contra os problemas de saúde pública, quando Oswaldo Cruz reformulou a administração sanitária, fazendo o registro demográfico que possibilita conhecer melhor a população, introduziu laboratório para auxiliar os diagnósticos, fabricação de produtos profiláticos para uso em massa que causou muitos conflitos para o sanitarista, pois queriam impedir que o uso da vacina fosse obrigatório.

Em 1.920, foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública que sob a administração de Carlos Chagas, criava Diretorias que agrupava atividades diversificadas para o progresso da ciência. Começou a propaganda e educação sanitária, criação de órgãos especializados na luta contra a tuberculose, a lepra e as doenças venéreas.

Foi dada atenção à hospitalização infantil e a higiene industrial, deu-se ênfase ao saneamento e foi criada a Escola de Enfermeiras Ana Nery.

O Departamento Nacional de Saúde Pública, por um longo tempo, conseguiu englobar as atividades, exercendo influências na prevenção, manutenção e recuperação da saúde da população.

Em abril de 1.941, foi feita uma reforma no Departamento Nacional de Saúde Pública, orientada por Barros Barreto, que instituía órgãos para orientar a assistência sanitária e hospitalar, dando destaque às doenças transmissíveis, aos problemas de nutrição, administração sanitária e a construção e instalação hospitalar.

Criou-se órgãos que agiam diretamente no combate a malária, febre amarela e peste.

Reuniu-se em uma só entidade, no caso, o Instituto Oswaldo Cruz, as atividades de experiências e pesquisas, produtos para a cura e prevenção, aperfeiçoamento do pessoal de nível universitário, atenção às doenças degenerativas e mentais.

Em julho de 1.953 foi criado o Ministério da Saúde.

Saúde Pública e Desenvolvimento Nacional

A finalidade dos programas de saúde pública se resume em três pontos básicos:
a) Evitar doenças.
b) Prolongar a vida.
c) Promover a eficiência individual.

Assim, reconhece-se a interrelação entre saúde e desenvolvimento econômico para o progresso social. As nações em desenvolvimento aceitam o critério de considerar as atividades de saúde pública, fator integrante dos programas nacionais de desenvolvimento.

A Organização Mundial da Saúde destaca alguns aspectos que devem nortear quaisquer programas de saúde pública, entre os quais destacamos:
a) Os programas sanitários devem ter como objetivo melhorar de maneira durável o estado de saúde de toda a população.
b) A prioridade, em matéria de programas de saúde numa região subdesenvolvida deve ser no sentido de suprimir as causas de doença que afetam grandes parcelas da população. 
c) Os programas sanitários devem ser elaborados em função das vantagens que possam ter na economia nacional.
d) Os programas sanitários devem ser elaborados em função das condições econômicas e sociais do país.
e) Os programas sanitários devem ser coordenados com os planos de progresso social e de desenvolvimento econômico elaborados, ou em andamento na região.
f) A cooperação de peritos profissionais e técnicos é indispensável em todas as fases de execução do programa.

Para o desempenho de suas atribuições específicas no plano geral de trabalho, a saúde pública desenvolve atividades que são, umas de sua atribuição direta, outras de ordem geral. Entre as primeiras destacam-se:
a) Saneamento do meio, envolvendo, entre outros, os aspectos relativos à habitação, água, dejetos, lixo, higiene do trabalho e prevenção dos efeitos das radiações.
b) Proteção individual e social da saúde compreendendo indivíduos sadios, incapacitados e doentes.
c) Controle das doenças transmissíveis – inclui todos os aspectos relativos a notificação, imunização, isolamento e desinfecção.
d) Genéricas:
I- promoção da saúde, incluindo os cuidados relativos à alimentação, nutrição, educação física e sanitária.
II- regulamentação e padronização de normas.
III- serviço de laboratório para análise e diagnóstico, assim como laboratório de referência.
IV- registro e análise estatística, inclusive de inquéritos, e avaliação de resultados.
V- padronização e fornecimento de equipamento especializado para atividades médica, odontológica e farmacêutica, assim como para saneamento do meio.
e) Preparo de pessoal, tanto profissional quanto auxiliar, em cursos básicos e de aperfeiçoamento.
f) Pesquisas, desdobradas em fundamentos e aplicadas.

Além dessas atividades, outras influem decisivamente para a melhora das condições de saúde, entre as quais podemos referir: previdência social, facilidades educacionais, adequada produção e distribuição de gêneros alimentícios, utilização de áreas disponíveis e proteção de cursos de água.

Para estar em condições de executar satisfatoriamente as diversas atividades, quer sejam de sua atribuição direta ou não, visando a atender as finalidades do programa de trabalho em saúde pública, é necessário ao administrador:
a) Conceituar os problemas existentes em face da conjuntura nacional, regional ou local.
A conceituação dos problemas necessita ser feita com base nas condições e possibilidades reais do país, atendendo as efetivas características de desenvolvimento existente, levando-se em consideração, principalmente, os seguintes aspectos:
- o grau de desenvolvimento do país, em função do tipo de economia vigente e dos padrões estabelecidos.
- estrutura social, cultural, administrativa e política.
- condições técnico-administrativas.
b) Equacionar com objetividade esses problemas.
Equacionar criteriosamente os problemas, para estabelecer os princípios e práticas de administração sanitária compatíveis, utilizando a experiência presente e passada e absorvendo a cooperação internacional, técnica e material, sempre que indicada. O equacionamento dos problemas será fundamentado nos dados disponíveis, obtidos das seguintes fontes:
- levantamentos e inquéritos.
- registro das atividades.
- investigação e pesquisa
c) Planejar o trabalho a executar.
Para execução de qualquer trabalho é necessário o planejamento e sempre a sua avaliação.

Problemas Brasileiros de Alimentação e Nutrição

Nos séculos XVII e XVIII já se encontrava em alguns autores a preocupação de desvincular os problemas de saúde da área biológica, colocando-os como resultantes da organização social do processo produtivo. Para aquele momento histórico, essa inovação pouco pode contribuir para a solução do problema, uma vez que o conhecimento científico estabelecido da época e a própria organização do estado não permitiam almejar grandes mudanças.

Na década de 70, vários autores retomaram com intensidade e iniciativa de demonstrar que os problemas de saúde e as carências nutricionais resultam de um processo desigual de oportunidade de acesso aos bens e serviços oferecidos pela produção do país.

É certo que essa desigualdade resulta da estrutura sócio-econômica e de sua política ideológica, que alguns autores denominam de causas básicas condicionantes das situações individuais de carência.

Na VIII Conferência Nacional de Saúde (1986) ficou estabelecido que o conceito de saúde deveria ser desvinculado da questão de ausência/presença de doenças em indivíduos isolados, para numa visão mais abrangente perceber a saúde como resultado das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde.

As variáveis apontadas acima são acondicionantes do estado nutricional e colocadas como causas mediatas que devido a uma dinâmica de interrelação intensa determinam o estado nutricional. A variável renda, por exemplo, é um determinante primordial que limitará a quantidade dos alimentos consumidos, uma vez que a análise do valor nominal do salário mínimo e seu poder de compra em relação a cesta básica dos alimentos nos permite concluir que a população economicamente ativa que recebe em salário mínimo não terá suas necessidades nutricionais básicas atendidas. A renda determinará ainda o tipo de habitação e saneamento ambiental, predispondo seus moradores a uma série de morbidades que por sua vez acabarão por alterar as necessidades nutricionais diárias ou dificultar o aproveitamento biológico dos alimentos.

Como causas imediatas das carências nutricionais podem ser apontadas, em primeiro lugar, a ingestão inadequada de nutrientes com relação às necessidades fisiológicas do ser biológico, que vai variar nas diferentes fases da vida, podendo estar aumentadas não só por processos fisiológicos normais, mas também por processos patológicos e, em segundo lugar, as desordens no aproveitamento biológico dos nutrientes ingeridos.

As carências nutricionais de maior prevalência no país são: desnutrição protéico calórica, anemias carenciais, bócio endêmico, hipovitaminose A e cárie dental, embora pela falta de dados não se tenha até hoje um retrato fiel das suas respectivas magnitudes.

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo

Member Login

Pellentesque adipiscing odio eu neque gravida vehicula. Ut ultricies diam vel est convallis non auctor dui scelerisque. Quisque at erat sem
×