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Doença De Crohn

Fonte: CozinhaNet

À minha mãe que insistiu para que eu continuasse a busca pelo diagnóstico, consultando a mais um Gastroenterologista, o qual resultou na solução do meu problema.

Agradeço sua força, carinho e seu apoio incondicional.

A ela devoto meu eterno amor e minha gratidão.

Ao excelentíssimo Professor Dr. Ernani Geraldo Rolim, Prof. do Departamento de Clínica Médica – Faculdade de Ciências Médicas - Chefe da Clínica de Gastroenterologia do Departamento de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

A minha gratidão e admiração pelo Ser humano ímpar, sempre prestativo, carinhoso, paciente, eficiente, dando-me condições para ficar cada vez melhor com segurança, transmitindo-me força e acolhendo-me nos momentos difíceis.
__________________________________________________________

Agradecimentos

A todos os meus familiares que estiveram junto comigo apoiando, incentivando e amparando nos momentos mais difíceis. Principalmente aqueles que com paciência me ouviam e foram um ombro amigo para eu chorar.

A todos os meus amigos com os quais contei com a solidariedade e apoio, principalmente àqueles que tiveram paciência para me ouvir.

Ao Dr. Friederich Simon, meu Ginecologista à 35 anos, pelo tratamento e acompanhamento nas situações clínicas de saúde, quando ainda não tinha um diagnóstico. Pelo seu carinho e dedicação.

À Dra. Andreia Esquivell, meu anjo da guarda, Nutricionista que me orientou e ensinou na fase dos medicamentos fortes evitando os efeitos colaterais da interação droga X nutriente e na manutenção do meu peso.

À Dra. Wanda Ignatavicius, Médica Neurologista especialista em Antroposofia e ex-Nutricionista, sempre amiga e prestativa, sua ajuda está sendo muito valiosa.

Ao Dr. Wilson Sampaio Pereira, Psicólogo Professor de Neurolingüística, por sua capacidade de interação e empatia com o ser humano. A sua mão amiga e segura que me conduziu quando tudo estava mais difícil, meu respeito pela sua fé em Deus.

A todos os componentes, colaboradores e colegas da Associação Brasileira dos portadores de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn. Pelo apoio, acolhimento ímpar e presteza em todos os momentos. Em especial para Isabel Cristina de Sousa Diogo e a Dra. Nutricionista Maria Isabel Lamonier de Vasconselos.

Ao amigo zen e guru, o Jornalista José Maria M. Filho, pelos caminhos que abriu para que eu recebesse a valiosa ajuda dos colegas nutricionistas.

À Nutricionista Dra. Valéria Paschoal, pelo carinho e oportunidade que me deu para participar dos cursos sobre Nutrição Clínica e Funcional, voltada às doenças inflamatórias e intestinais.


Índice
1 Definição
2 Manifestações Clínicas
3 Etiologia
4 Incidência
5 Sintomas da Doença
5.1 Sintomas Não Intestinais na Doença de Crohn
6 Papel do Sistema Imunológico
7 Diagnóstico da Doença
8 Conduta Terapêutica
8.1 Medicamentos mais Comuns Usados na Doença de Crohn
8.2 Tratamento Cirúrgico
8.3 Tratamento Psicoemocionais
8.4 Fatores que exacerbam na doença de Crohn
9 Medicamentos Fornecidos pelo SUS para Doentes de Crohn
10 Conduta Dietoterápica
10.1 Tratamento Alternativos


Doença de Crohn Características e Dietoterapia


1 Definição

Doença inflamatória intestinal de etiologia desconhecida, lentamente progressiva, caracterizada por inflamações crônicas no sistema digestório.


2 Manifestações Clínicas

A doença tem caráter recorrente e embora possa atingir qualquer segmento do tubo digestivo, desde a boca até o ânus, o íleo terminal e cólon são os mais atingidos. As manifestações extra-intestinais, podem preceder, acompanhar ou surgir após as manifestações intestinais. Os pacientes que apresentam uma das manifestações extra-intestinais, tem possibilidade maior de apresentar outras. A explicação para tais ocorrências pode ser de origem imunológica, mas ainda não está muito claro. Pode haver comprometimento de vários órgãos mas os mais atingidos, costumam ser as articulações, pele, mucosas, olhos, fígado e rins.

Ainda podemos citar outros envolvidos como: manifestação hematológica, vasculares, pancreáticas, pulmonares, cardíacas, músculo-esqueléticas, neurológicas, abscessos e câncer.


3 Etiologia

As causas são multifatoriais, sendo predisposição genética a mais forte, principalmente em certos grupos raciais como os povos semitas, árabes, judeus e gregos. O primeiro gen para a doença de Crohn, o Nod2, foi identificado em Maio de 2001 por dois grupos independentes, um dos E.U.A. e o outro da França.

Fatores ambientais estão também ligados à doença de Crohn pois ela é especialmente predominante em áreas industrializadas no mundo. Aparece ainda em pessoas de baixo risco que se transferem de um meio rural para centros urbanos. A poluição ambiental, alimentação industrializada e principalmente o cigarro interferem nas causas da doença. Há também indícios de distúrbios da microbióta intestinal e também do sistema imunológico com anormalidades na imunidade sistêmica e mucosa.


4 Incidência

Segundo o pesquisador Dr. Cláudio Fiochi, formado pela Santa Casa de São Paulo, residente nos E.U.A. e responsável por um laboratório dentro da Western Reserv University, em Cleveland, a doença de Crohn tem aumentado em todo o mundo e há previsões de seu aumento aqui no Brasil. Estas previsões já estão comprovadas pelo número de leitos ocupados nos hospitais pelos portadores da doença.

A prevalência da doença de Crohn é de 1 para 1000 pessoas em vários países.

A incidência maior está entre os adolescentes, havendo picos em torno de idades entre 20 e 30 anos, com um pico secundário nas idades de 55 a 60 anos. Atualmente temos vários casos de crianças com Crohn, sendo esta situação a mais grave, pois há alterações no desenvolvimento físico, emocional e psicológico segundo a Dra. Marla Dubinsky, uma das maiores especialistas em doenças inflamatórias intestinais infantil dos E.U.A.

A doença de Crohn não tem cura e não é de origem psicossomática como pensam algumas pessoas. O Dr. Cássio Pitta, psiquiatra e professor da escola Paulista de Medicina, colaborador da ABCD (Associação Brasileira de Reto-colite e Doença de Crohn), afirma: “Seria absurdo dizer que as causas das doenças inflamatórias intestinais são psíquicas. Muitas crises ocorrem em situações que não há estresse algum”. Até o momento, todo o tratamento, tanto medicamentoso como dietoterápico, apenas controla a doença mas não cura, nem evita as crises. O Dr. Grazziano, colaborador da revista ABCD em Foco e renomado
cirurgião argentino, diz que a terapêutica ideal para a doença inflamatória intestinal não existe e que a cirurgia não é o melhor tratamento - o nome da solução é PESQUISA!!!


5 Sintomas da Doença

O mais comum é uma diarréia crônica, dor abdominal com cólicas, náuseas e vômitos, febre moderada, sensação de distensão abdominal, perda de peso, mal estar geral e cansaço. Algumas vezes ocorre, junto com as fezes, a eliminação de sangue, muco ou pús. A doença alterna períodos de remissão sem qualquer sintoma, com períodos de exacerbações de inícios e duração imprevisíveis. O Crohn é uma doença traiçoeira, quando menos se espera o doente pode ter um estreitamento do intestino ou uma obstrução. Quando em crise pode ter dores e inchaços nas articulações, abcessos e fístulas. As ulcerações da membrana da mucosa intestinal, conduzem a diversos problemas nutricionais associados, tais como: anorexia, edema nutricional, anemia, avitaminose, perdas protéicas, balanço nitrogenado negativo, desidratação e distúrbios eletrolíticos. Há evidências de depleção específica de vitamina C e zinco, vitamina E, ácido fólico, B1, B12 e B6, com ocorrência de melhora a partir da suplementação desses nutrientes.

5.1 Sintomas Não Intestinais na Doença de Crohn

É alto o percentual de pacientes que apresentam outros sintomas em outros órgãos. Os portadores da doença precisam ficar atentos a alterações em sua pele, articulações e olhos para relatá-los ao médico. Alterações no pâncreas são raras. Alguns apresentam distúrbios no trato respiratório, no sistema nervoso e no aparelho renal. Algumas vezes, diversos órgãos estão envolvidos. Às vezes poucos sintomas são mais evidentes, tornando mais difícil e demorado o correto diagnóstico.


6 Papel do Sistema Imunológico

O Crohn faz parte do grupo de doenças classificadas como doenças auto-imunes. O aparelho digestivo possui uma superfície de contato muito grande. Esta área é importante para absorção dos alimentos e da água. Em razão deste contato com substâncias exógenas, o trato digestivo tem um grande número de células do sistema imunlógico que dentre outras funções, defendem nosso organismo da invasão de substancias estranhas que acompanham os alimentos. A barreira imunológica mais importante no intestino é representada por um tipo de imunoglobulina, a IgA, que possui funções diferentes da IgG, encontrada no sangue.

Estudos tem demonstrado que na doença de Crohn, a proporção entre IgA e IgG muda a favor dessa última na parede intestinal. Enquanto a IgA normalmente mantém antígenos distantes das paredes do intestino, a IgG não possui esta capacidade, permitindo a ligação de antígenos ao tecido intestinal podendo contribuir para a inflamação deste órgão. Além disso a IgG, combinada com antígenos e anticorpos, forma complexos imunes que podem ser transportados a outros órgãos do corpo, causando processos inflamatórios distantes do intestino. Exemplos desses processos inflamatórios são: desordem nas articulações, debilitação do sistema nervoso, distúrbio nos olhos, alterações na pele. Também há distúrbios psicológicos, pois a ligação entre o cérebro e o processo imunológico, envolve uma rede muito complexa de fatores bioquímicos, neurohormonais e componentes imunológicos, os quais afetam tanto o sentido de emotividade quanto o sistema imunológico do paciente com Crohn.

Dr. David Sachar, colaborador da revista ABCD em Foco, reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho no campo das doenças inflamatórias intestinais, com mais de 200 publicações sobre o assunto, alerta sobre as mudanças ocorridas na doença de Crohn e afirma que "ainda não sabemos tudo".


7 Diagnóstico da Doença

É essencial um bom exame clínico, feito por um especialista em gastroenterologia e clínica médica (clínico geral) aliado a uma anaminese das queixas do paciente. Seguem abaixo os exames indicados:
- hemograma completo
. anemia ferropriva ou megaloblástica
. leucocitose
. neutrofilia
. linfopenia
. bastonetose
. trombocitose
- nas fases agudas (elevação da velocidade da Hemossedimentação - VHS)
- proteína C reativa (das mucoproteínas)
- proteínas e frações (hipoalbuminemia)
- eletrólitos diminuídos
- provas de absorção intestinal alteradas
- Raio-X do intestino delgado (trânsito intestinal)
- exames de fezes (esteatorréia, leucócitos e sangue oculto)
- coprocultura

O que não deixa dúvida e é importante: a endoscopia (colonoscopia com biópsias). Recentemente dois exames de sangue conhecidos pelas siglas Asca e p-Anca são usados para diagnóstico da doença de Crohn e da colite ulcerativa. Estes exames são pouco solicitados por serem de alto custo, não liberados pela maior parte dos convênios médicos.


8 Conduta Terapêutica

Não há medicamentos que curem as doenças inflamatórias intestinais, portanto a conduta médica centraliza-se em drogas para controle do processo inflamatório e promoção da cicatrização. O constante desenvolvimento de novos agentes, além dos mais conhecidos, constitui uma promessa maior para o futuro da terapia.

8.1 Medicamentos mais Comuns Usados na Doença de Crohn

- Corticosteróides
. Prednisona
. Deflazacort
. Budesonida
. Hidrocortisona

- Aminossalicilatos
. Sulfassalazina
. Mesalazina

- Imunomoduladores
. Azatriopina
. 6-Mercaptopurina
. Ciclosporina
. Metrotrexate
. Anticorpo anti-TNF (Infliximab)

- Antibióticos
. Metronidazol
. Ciprofloxacina
. Claritromicina

- Probióticos

Além dos já conhecidos atualmente, existem uma maior disponibilidade no mercado, com novos estudos e comprovações de sua eficácia.

8.2 Tratamento Cirúrgico

Atualmente o tratamento cirúrgico, que já foi muito indicado, ficou reservado para situações de emergência como, por exemplo, obstrução intestinal. Isso se deve às pesquisas que mostraram que a doença de Crohn é uma doença pan-intestinal com potencial multifocal. A cirurgia não cura e os locais afetados que são operados, não detêm o curso da doença e, após dois ou três anos, esta volta em outra região do intestino.

8.3 Tratamentos Psicoemocionais

Cabem aos profissionais da saúde, ou melhor, à equipe multidisciplinar, que cuida do doente portador de doença crônica, reduzir os impactos psicossociais na qualidade de vida dele e de sua família. Segundo a cirurgiã - geral Dra. Maria José Femenias Vieira, colaboradora da revista ABCD em Foco, “o paciente de Crohn vive uma guerra! Sentimentos de culpa, ansiedade, tristeza e desânimo. Ninguém deve ter culpa por estar sujeito a uma enfermidade, diz a Dra. Maria José. Isso foge ao nosso controle. Não somos criadores, somos criaturas.”

Cabe à equipe multidisciplinar estar preparada para dar apoio emocional ao paciente, ajudá-lo, ampará-lo com carinho, amor e disponibilidade para atendê-lo em momentos de crise e insegurança. Podemos afirmar que a base dos nutrientes da alma completam o tratamento e melhoram a sua qualidade de vida.

8.4 Fatores que exacerbam a doença de Crohn

a) Infecções intercorrentes (trato respiratório ou infecções intestinais)
b) Tabagismo
c) Anti-inflamatórios não-esteróides
d) Uso de narcóticos para analgesia (deve ser evitado quando possível)
e) Estresses iniciando ou exacerbando a doença de Crohn, permanece em controvérsia.


9 Medicamentos Fornecidos pelo SUS para Doentes de Crohn

A portaria número 1318, de 27/07/2002 foi a responsável pela inclusão no programa de 38 medicamentos excepcionais, dos quais 7 deles são para a doença de Crohn e retocolíte ulcerativa.

Esses medicamentos são:

- Ciclosporina - Azatriopina - Metotrexato - Sulfassalazina - Mesalazina – Cloridrato de Ciprofloxacina - Anti-TNF-Infliximab

Os medicamentos são caros e essa resolução do governo, que já atende os pacientes desde Outubro de 2002, veio facilitar e dar condições de tratamento para todos os doentes de Crohn. Atualmente o SUS atende de forma ímpar e deixou de onerar, ou tornar possível que todos os portadores de Crohn tivessem condições de serem tratados. Ressalto o empenho, a organização e dedicação da Associação Brasileira dos portadores de Retocolite Ulcerativa e Doença do Crohn para que tornasse possível a resolução citada acima, como também, o auxílio em todo processo para que os pacientes possam receber os medicamentos sem tanta burocracia.


10 Conduta Dietoterápica

Objetivo: a terapia nutricional tem como objetivo promover a cicatrização dos locais com ulceração, reparar os estados de desnutrição, melhorar a ingestão de alimentos, repor as perdas de nutrientes ocasionadas pelo hipercatabolismo, reduzir as complicações causadas pela má absorção intestinal, restabelecer as funções do sistema digestório, estimular o sistema imunológico e minimizar os efeitos colaterais dos fármacos em uso com os nutrientes.

- Cuidado Nutricional

A desnutrição nos portadores de doença de Crohn é uma constante. Ela é ocasionada pela dificuldade na absorção dos nutrientes, aumento da taxa do metabolismo basal, perdas proteicas, interferência dos medicamentos, anorexia (própria da fase de crise) e insegurança em se alimentar por medo da piora do quadro.

As diarréias e também a Disbacteriose intestinal, sempre presentes nos portadores de Crohn, levam à desnutrição.

A indicação é de dieta hiperproteica e hipercalórica, com baixo teor de fribras, sendo a mais usada a fibra solúvel, hipolipídica, normoglicídica, hiperhídrica, hipervitamínica, hiperminerálica, com suplementação de vitamina B12, B1 e B6, as vitaminas lipossolúveis, vitamina C, ácido fólico e minerais como zinco, cálcio e magnésio. Em condições graves a indicação é de um suporte nutricional enteral, incluindo preparados de suplementos absorvíveis isotônicos de aminoácidos, glicose, gorduras, minerais e vitaminas.

Nos casos de complicações de doença de Crohn, o suporte da nutrição parenteral é mais eficiente. Essa terapia é vital para restaurar e manter a saúde nutricional em pacientes com obstrução, fístulas, fase grave, ressecções intestinais e na infância, para que seja evitado um grave retardo no crescimento e desenvolvimento.

Uma reposição nutricional adequada melhora muito os sintomas. Há uma redução de secreção e motilidade intestinal, redução de atividade da doença, alívio na obstrução intestinal parcial, fechamento ocasional de fístulas entéricas e renovação do sistema imunológico.

O doente de Crohn, com doença localizada no íleo terminal ou aqueles que tem o íleo removido, não possui absorção de vitamina B12 pois é justamente no íleo que ela seria absorvida. A reposição no organismo é feita através de injeção de B12 de acordo com a orientação médica.

As vitaminas de complexo B são muito importantes para recuperação das funções orgânicas. O ácido fólico, está especialmente indicado na doença do Crohn pois interfere rapidamente na renovação do tecido epitélial intestinal (principalmente o delgado) e mucosa em geral.

A vitamina E juntamente com a vitamina C são extremamente necessárias e, aliadas ao Zinco, melhoram o sistema imunológico, participam na síntese dos tecidos e contribuem para integridade tecidual.

A combinação zinco e vitamina C auxilia o organismo a utilizar todo o seu potencial de defesa.

Obs.: Para haver uma boa disponibilidade da vitamina C no organismo ela deve ser ingerida juntamente com a vitamina E.

Para haver uma boa absorção do ácido fólico sua administração deve ser feita após duas horas da ingestão de suplementos com Zinco. Estudos demonstram que a terapia com a suplementação dessas vitaminas e esse mineral dão bons resultados.

O doente de Crohn, devido às constantes diarréias e destruição tecidual, necessita de uma dieta rica em potássio. Em casos graves, durante a internação, há necessidade da indicação de terapia com potássio para evitar a hipocalemia.

A dieta rica em potássio ou terapia com potássio pode diminuir a absorção de vitamina B12 no intestino.

A Dieta rica em cálcio ou a suplementação é extremamente importante nas fases agudas da doença.

- Novos Recursos Nutricionais

Alimentos funcionais e nutracêuticos: atualmente estão em evidências estudos comprovando que determinados nutrientes favorecem a melhora da permeabilidade intestinal e das inflamações, aumento da imunidade e recuperação mais rápida nas crises de Crohn.

Podemos citar a ação de algum deles:

. Alho - possui ação anti-inflamatória na doença de Crohn, através de um dos seus componentes, a ajoeno (ajocisteína), é recomendado em cápsulas ou mesmo no tempero. Sua ação é potencializada quando usado cru.

. Ácido graxo omega3 - Age na recuperação anatômica da mucosa e aumenta a imunidade. O processo inflamatório é iniciado pela produção de ácidos graxos biologicamente ativos, prostaglandinas e leucotrienos. O ácido graxo omega 3 pode alterar a produção de ácidos graxos biologicamente ativos. É necessária uma administração elevada para surtir efeito anti-inflamatório e sua disponibilidade melhora com suplementação de vitamina E. Mas, através de uma alimentação bem planejada, podemos alcançar os resultados sem utilizarmos os suplementos.

. Glutamina + hormônio do crescimento – A glutamina é um aminoácido que atua no intestino delgado, sendo essencial nos estados catabólicos, como acontece com o Crohn. É o principal combustível oxidativo das células epteliais. Age como fonte energética para divisão celular das células da mucosa e linfócitos gastro intestinais. O hormônio do crescimento (GH) é uma pequena proteína que contem 191 aminoácidos em uma cadeia única. O GH diminui o catabolismo proteico ao reduzir a oxidação dos aminoácidos. Ele favorece o balanço nitrogenado mesmo com dieta hipocalórica. Nas doenças inflamatórias intestinais a administração da glutamina e do hormônio do crescimento, através dos suplementos nutricionais, são essenciais para uma rápida recuperação, reduzindo as inflamações e agindo no equilíbrio entre anabolismo e catabolismo e no metabolismo das proteínas.

- Probióticos – Prebióticos e Simbióticos:

Probióticos são suplementos alimentares, compostos por microorganismos com efeitos benéficos, promovendo o equilíbrio microbiano da microflora intestinal.

Quem são os probióticos?

* Lactobacilli:
. Lactobacilli rhamnosus GG
. Lactobacilli rhamnsus 271
. Lactobacilli acidophilus NCFM
. Lactobacilli acidophilus DDS-1
. Lactobacilli acidophilus LA 1
. Lactobacilli casei shirota
. Lactobacilli casei CRL-413
. Lactobacilli fermentum RC-14
. Lactobacilli reuteri
. Lactobacilli plantarun 299 e 299 V

* Bifidobacterium:
. Bifidobacterium bifidum
. Bifidobacterium infantis
. Bifidobacterium adolescentis
. Bifidobacterium longun
. Bifidobacterium animalis

Prebióticos são derivados dos carboidratos não hidrolizados pelas enzimas digestivas, chegando ao intestino grosso onde passam a ser digeridos pela microflora existente, sendo fermentados principalmente pelas bactérias não patogênicas. Exemplos de prebióticos: frutoóligossacarídeos (banana, aveia, cevada, maçã, fibra solúvel, etc.), óligossacarideos (soja) e inulina (inhame, alho, chicória, trigo, entre outros).

Simbióticos são definidos pela combinação de probióticos e prebióticos que juntos melhoram a implantação e sobrevivência dos microorganismos, além de promover o equilíbrio da microflora bacteriana. O desequilíbrio entre qualitativo e quantitativo entre microorganismos, afetando o intestino, é chamado de Disbiose (ou disbacteriose) Intestinal. Na doença de Crohn a ação dos probióticos tem efeitos terapêuticos melhorando a permeabilidade intestinal, aumentado a imunidade, melhorando a absorção de minerais e reduzindo as fases de diarréia.

- Interação Drogas X Nutrientes

Em todas as dietas para situações especiais deve-se dar muita importância para a interação drogasXnutrientes. Na doença de Crohn, que é uma enfermidade crônica e possui fases medicamentosas longas, a atenção do nutricionista precisa ser redobrada. A falta de eficácia com determinados nutrientes e o efeito negativo de outros trazem depleções para o organismo ou retenção do mesmo. Um exemplo é a retenção do sódio com a terapia com a cortisona e poderia ser evitado se todos os profissionais da saúde conhecessem o assunto.

O que pode ocorrer com a interação drogas X nutrientes na doença de Crohn:

. os nutrientes podem alterar a biodisponibilidade de outros nutrientes
. os nutrientes podem reagir e reduzir a ação das drogas
. as drogas podem produzir depleção dos nutrientes
. doenças crônicas como o Crohn interferem na ação dos nutrientes e dos medicamentos

O estado físico do paciente e a fase em que se encontra a doença de Crohn podem interferir na biodisponibilidade da droga. No uso de várias drogas ao mesmo tempo, há interação entre elas com vários efeitos colaterais, interferindo também na nutrição.

O nutricionista deve estar atento e verificar sempre a avaliação nutricional do paciente, conhecendo e compreendendo o potencial das interações nutrientes e drogas que pode alterar a conduta dietoterápica e medicamentosa trazendo sérias dificuldades para a recuperação do doente de Crohn.

Citarei como exemplo a interação drogasXnutrientes com relação ao uso de corticosteróide pelo paciente de Crohn e qual a conduta alimentar para minimizar os efeitos colaterais.

Obs.: A cortisona deve ser tomada junto com os alimentos para reduzir desconfortos gastro-intestinais .
A dieta deve ser rica em potássio porque a cortisona ocasiona depleção do mesmo.

A dieta deve ser hipossódica para evitar a retenção de sódio, deve ser hiperproteica para reduzir os efeitos do catabolismo da droga e, ser rica em Potássio, Zinco, vitamina A, D (bloqueia o metabolismo renal), Cálcio, Fósforo – se nessesário suplementar esses nutrientes.

A cortisona aumenta o apetite e o peso (tomar cuidado com a dieta prescrita). Necessita ainda da suplementação do ácido fólico que já é necessária para a recuperação mais rápida do doente. O outro cuidado é quanto o aumento de glicemia. Acompanhar e evitar alimentos que contribuam para isto e durante o tratamento cuidar da reposição dos eletrólitos diariamente.

- Planejamento da Dieta:

A dieta é bastante individualizada, havendo necessidade de uma boa anamnese alimentar e um contato muito estreito do médico com o nutricionista e o paciente. O apetite do doente de Crohn é escasso, sendo imperativa uma dieta bem adequada, altamente nutritiva, usando-se diversos recursos alimentares com criatividade que podem implementar o cardápio.

Cabe ao nutricionista incentivar com carinho o paciente de Crohn a se alimentar, explicando todos os benefícios da nutrição para o restabelecimento mais rápido das fases de crise e manutenção do bem-estar e qualidade de vida saudável em fase de remissão.

O cardápio diário deve ser dividido de 6 a 8 refeições, auxiliando assim na melhor digestibilidade, reposição das perdas de eletrólitos, de energia e na melhor absorção dos nutrientes.

- Proteína de Alto valor

Deve conter proteínas de alto valor biológico, são indicadas ovos e carnes, em geral, sem gordura e bem cozidas, evitar o leite nas fases agudas, devido à intolerância à caseína (proteína do leite) e, em menor incidência intolerância à lactose.

Usar leite de soja, de preferência suplementos nutricionais, com proteína hidrolizada e sem lactose.

- Energia de alto valor

Cerca de 2.500 a 3.000 Kcal são necessárias para compensar perdas diárias pelas fezes e conseqüente perda de peso. Para aumentar o valor calórico da dieta, as gorduras vegetais são ótimas fontes (ricas em omega3), azeite de oliva, canola, soja. Pode-se usar ainda, manteiga ou margarina de maneira moderada.

A perda de gordura nas fezes é comum na doença de Crohn. Na ocorrência desse problema a gordura deve ser diminuída e não retirada da dieta. Em caso de necessidade de uma gordura facilmente absorvida podemos lançar mão dos triglicerídios de cadeia média (TCM), comercialmente preparados. Quanto aos carboidratos, devemos restringir a sacarose e doces concentrados.

O valor calórico deve ser aumentado através do arroz, farinha de arroz, farinha de milho, feculentos, legumes, frutas, biscoitos simples (Maria, maizena e bolacha de água e sal) e torradas.

- Teor de fibras

As fibras podem ser inseridas na dieta. Em fase de crise apenas as solúveis são importantes e são recomendadas até no controle da diarréia.

Quanto às insolúveis, na fase de remissão da doença, podem ser introduzidas gradativamente, respeitando a intolerância alimentar de cada paciente.

- Condimentos e texturas

Textura cremosa e pastosa em fase de crise; branda em fase de remissão. Não usar frituras. Os condimentos devem ser a base de ervas, alhos, sem molhos fortes e sem alimentos que formam gases e promovem flatulência.

- Bebidas

São proibidos os fermentados (vinho, cerveja, champanhe), os refrigerantes, sucos artificiais e água com gás. Deve-se evitar os líquidos e alimentos gelados.

É recomendado o consumo de água de coco, água natural sem gás, suco de lima da pérsia, suco de laranja lima, suco de cenoura com couve coado, suco de goiaba, caju, maracujá, maçã ou suco de frutas não irritantes da mucosa.

Pode-se usar chá de ervas que ajudam na digestão, tais como: camomila, cidreira, erva-doce, hortelã, chá verde, chá de jasmim.

Para enriquecermos a alimentação do paciente de Crohn e também dependendo da fase e das condições físicas de que se encontra, podemos lançar mão de diversos recursos no mercado de suplementos nutricionais, alguns especificamente para a doença de Crohn como o Modulen da Néstle ou com adição específica de nutrientes como: glutamina, omega3, com fibras solúveis, entre outras.

10.1 Tratamento Alternativo

Hoje, através de uma visão holística, vendo o homem como um todo, há diversos tratamentos básicos.

Como nesta apostila eu sou a nutricionista e também a paciente, portadora da doença de Crohn, estou apresentando um estudo de caso. Por essa razão, citarei aqui, os tratamentos alternativos que tenho feito, além da medicina convencional:
. Tratamento com a medicina antroposófica que vê o ser humano constituído de corpo físico, psíquico e espiritual.
Dra. Wanda Ignatavicius, Médica Neurologista - colega Nutricionista e Especialista em Antroposofia.
Obs.: A Dra. Wanda também faz uso dos Florais de Bach.

. Massagem energética - Fisioterapeuta Massagista Mário Inoue.

. Terapia com Psicólogo e Professor de Neurolingüística Wilson Pereira Sampaio.

. Valorização do ser humano através do aprofundamento e fortalecimento espiritual.


Referências Bibliográfica:

1. Willians, Sue Rodwell - Fundamentos de nutrição e Dietoterapia, 6a edição
2. Rybergen, Mitchell; Dibble, Anderson – Nutrição, 16 a edição
3. Reis, Nelzir Trindade - Nutrição Clínica e Sistema Digestório
4. Carvalho, Dr. Gabriel de - Curso de Nutrição Clínica - Gastroenterologia Funcional
5. ABCD em Foco - Revistas da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn
6. Dani, Dr. Renato - Gastroenterologia
7. Terebours, Prof. Dr. Eric - Simpósio Doença de Crohn, organizado pela Néstle Clinical Nutricion
8. Revista Nutrição Saúde & Perfomance
9. Revista Nutrição em Pauta
10. Pierovam, Simone; Martins, Cristina - Interação e Drogas & Nutrientes
11. Dossiê Científico e Técnico- Néstle Modulen IBD - Nutrição Específica para Pacientes com Doença de Crophn
12. Beyer, Peter L., Ms, Rd. - Terapia Nutricional para Distúrbio do Trato intestinal baixo


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“Nutrição É a Ciência, É Arte, É Estudo Permanente, É Paciência, É Carinho, É Esperança, É Ética, É Saúde, É Amor...
É VIDA!!”
(Dra. Nelzir Trindade Reis)


Envelhecer

"Entra pela velhice com cuidado.
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos e glórias, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado
Apanha os frutos e recolhe as flores:
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher, quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde,
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! Que teu ardor não mude.
Mantém-te jovem, pouco importa a idade,
Tem cada idade a sua juventude!..."
(Bastos Tigre - jornalista cronista)

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