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As Dietas Engordam

Para especialista, quem faz dietas vive gordo porque não muda hábitos e ainda sofre com sensação de abstinência semelhante à provocada quando se pára de fumar.

Fonte: CozinhaNet

Dieta da lua, regime das frutas (também chamado de Bervely Hills), das proteínas ou da sopa. Atire a primeira pedra quem nunca se rendeu a uma dessas fórmulas milagrosas para perder peso em pouco tempo. Todo ano, com a chegada do verão e as festas de fim de ano, essas dietas reaparecem como a solução para diminuir as medidas. Nada definitivo. Afinal, a maior parte das pessoas já sabe que é impossível passar o resto da vida comendo alface e peito de frango ou apenas frutas para manter a forma.

Na prática, a expectativa é perder alguns quilos num curto período. Depois, seja o que Deus quiser. É o sacrifício para aliviar a culpa pela gula. O resultado dessa espécie de autoflagelação, no entanto, é bem pior do que o pecado que o levou a cometê-la. Engordar todos os quilos perdidos – e alguns a mais – é um deles. A compulsão pela comida, uma sensação parecida com a vontade desesperada de fumar um cigarro quando se pára de fumar, é outro.

Ambos terminam em frustração e novamente alguns números na balança. “As dietas engordam”, alerta Amélio Godoy de Matos, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Pode reparar. Quem faz dieta vive gordo porque não muda comportamentos e hábitos alimentares”, completa. Para ele, o termo dieta, por si só, já é neutralizante. “O conceito é outro. Dieta não é apenas para emagrecer, mas para promover mudanças de comportamento. Sem isso, ninguém consegue diminuir o peso”, afirma.

Efeito cascata

As dietas que promovem a fome provocam um efeito cascata no organismo. Primeiro, o metabolismo fica mais lento, provocando sonolência e falta de energia. Depois, a deficiência de carboidratos (doces e massas) diminui a produção do neurotransmissor serotonina, que regula nossas emoções e têm efeito antidepressivo. Em seguida, a quantidade do hormônio leptina, um potente anorexígeno, cai rapidamente em menos de 48 horas de iniciada a dieta.

Nesse momento, o organismo começa a cumular gordura e se desfaz de músculo e massa magra. Por isso, mesmo mais magra, a pessoa já não perde barriga ou pneus laterais. A reação também diminui a produção de noradrenalina, o mesmo que acontece quando se abandona o cigarro. O resultado é um episódio de compulsão alimentar. Chocolates e massas são as escolhas mais rápidas, pois regulam a produção dessas substâncias. “Dietas não devem ser feitas dessa forma. Às vezes, retirar um único componente da alimentação, como refrigerantes, é o suficiente para perder peso”, lembra Márcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).

A estudante Juliana Pedroso, de 20 anos, por exemplo, passou anos em dietas malucas para perder peso. “Fiz muitas dietas rápidas, mas sempre voltava a engordar”, admite. “Agora, que mudei alguns hábitos, consegui emagrecer. Hoje, me acostumei com a mudança e não me sinto de regime.”

Tratamento inclui mudança de comportamento

Para Amélio Godoy Matos, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o termo reeducação alimentar também não é o ideal quando se fala em perder peso. “Reeducação alimentar prevê apenas mudanças na sua forma de se alimentar, mas para emagrecer é necessário mudar de comportamento”, diz.

Matos costuma dar o exemplo de um casal que precisava emagrecer, mas sempre saía com um grupo de amigos que se encontravam para comer pizza e tomar chope. “Disse para eles: o ideal é mudar o grupo de amigos se não conseguem se encontrar para fazer outra coisa”, explica o especialista. “Algum tempo depois, eles perceberam que teriam mesmo de mudar de grupo para emagrecer. Isso é um exemplo de mudança de comportamento”, completa.

Segundo Márcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), esse é o motivo pelo qual muitas pessoas também abandonam o tratamento.

Fonte: Diário de São Paulo – Dezembro/2002

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