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As Fibras Alimentares Na Nutrição Infantil

Fonte: CozinhaNet

Os profissionais do setor da saúde que se preocupam em manter as crianças saudáveis sabem que uma nutrição adequada é importante para promover a otimização do crescimento e do desenvolvimento. Já se reconhece, hoje, que a alimentação durante a infância e a adolescência não só tem influência imediata sobre a saúde nessas fases do desenvolvimento como também tem impacto positivo ou negativo sobre a saúde futura do indivíduo adulto. Uma alimentação considerada de ótimo nível durante a infância deve ser adequada não apenas para promover todo o potencial de crescimento e desenvolvimento a curto prazo como também para reduzir o risco da incidência de doenças crônicas degenerativas durante a idade adulta, tais como hipertensão, alguns tipos de câncer, doenças cardíacas, diabetes não dependente de insulina e obesidade.

O conhecimento a respeito das propriedades e efeitos das fibras alimentares com relação à saúde vem aumentando significativamente graças às extensas pesquisas básicas, clínicas e epidemiológicas realizadas nos últimos anos. A avaliação dessas informações levou as autoridades da saúde em todo o mundo a reconhecer formalmente os benefícios resultantes das fibras alimentares para a saúde e a recomendar que os adultos consumam entre 20g e 40g de fibras por dia.

No que se refere às crianças, são diversas as recomendações para a ingestão de fibras alimentares. Os objetivos dietéticos do Programa de Educação sobre Colesterol e a Pirâmide da Alimentação dos Estados Unidos aplicam-se às crianças com mais de 2 anos de idade, considerando-se o período entre 2 a 3 anos como etapa de transição (National Cholesterol Education Program, 1992). A necessidade da ingestão de fibras alimentares dessa idade é motivo de controvérsia. Alguns sugerem que as fibras talvez não sejam necessárias durante o primeiro ano de vida (Commitee on Nutrition, 1981), enquanto outros recomendam que a alimentação durante o desmame inclua aproximadamente 5g de fibras por dia (Agostini e outros, 1995).

A Comissão de Nutrição da Academia Americana de Pediatria recomendou um consumo de fibras alimentares de 0,5 g/kg de peso corporal, levando em consideração as variações de peso dos diferentes grupos populacionais (Committe on Nutrition, 1993). Do ponto de vista da segurança, o consumo por adolescentes de fibras alimentares superior a 30g/dia com a inadequada ingestão de minerais (cálcio, ferro e zinco) poderia causar deficiências; no entanto, considerava-se que o consumo de até 25 g de fibras por dia durante a adolescência não deve ter consequências negativas, mesmo no caso da ingestão de minerais avaliada como abaixo de ótima (Nishimune e outros, 1993; Williams e Bollella, 1995; Williams, 1995).

A Fundação Americana de Saúde sugere que uma meta razoável para o consumo diário de fibras alimentares durante a infância e adolescência poderia ser a equivalente à idade da criança ou adolescente, acrescida de 5g (Williams e outros, 1995; Williams, 1995).

É fácil usar e recordar a fórmula “Idade+5” para efeito do cálculo das necessidades diárias de fibras alimentares de crianças e jovens na faixa de 3 a 18 anos. Esta fórmula aumenta gradualmente a quantidade de fibras na alimentação das crianças e jovens na medida de seu crescimento. Para obter a quantidade total de fibras alimentares em gramas recomendada para a criança, considere sua idade e acrescente 5. lembre, também, que, ao aumentar o consumo de fibras de acordo com o crescimento, as crianças devem consumir mais água. Com base na fórmula “Idade+5”, a ingestão mínima de fibras alimentares variaria de 8g/dia aos 3 anos de idade até 23g/dia aos 18 anos. A ingestão de fibras obtida por esta fórmula é semelhante à recomendada pela Academia Americana de Pediatria (0,5 g/kg de peso corporal).

A ingestão de fibras alimentares indicada pela fórmula “Idade+5” representa o limite mínimo de um consumo que poderia ainda proporcionar benefícios à saúde, como, por exemplo, a eliminação normal e regular dos resíduos digestivos sem comprometer o equilíbrio dos minerais ou o consumo de energia de crianças maiores de 2 anos de idade (Williams e Bollella, 1995; além disso, esta fórmula fornece resultados coerentes com a recomendação de fibras alimentares mais comum para adultos sadios (20-40g/dia), já que gradualmente aumenta a porção recomendada até atingir as quantidades adequadas ao adulto.

As fibras alimentares, principalmente as insolúveis, obtidas da casquinha de cereais como o farelo de trigo e das verduras, deram provas de ser significativamente benéficas na recuperação e manutenção da regularidade intestinal. No cólon, as fibras alimentares insolúveis abrandam e aumentam a massa fecal, absorvendo água, assim como facilitam e promovem a reprodução da flora bacteriana normal e sua consequente produção de gás. Isto aumenta a frequência dos movimentos peristálticos, causa a redução do tempo de trânsito intestinal e assegura o funcionamento normal do cólon. As fibras solúveis também sofrem fermentação causada pela flora bacteriana, promovendo um aumento da massa fecal e gerando produtos secundários de efeito laxativo. O consumo de fibras alimentares pode ser incentivado na infância por meio da ingestão de alimentos ricos em carboidratos complexos, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais. Desta forma, é possível obter uma combinação de ambos os tipos de fibras alimentares.

A irregularidade do funcionamento intestinal ou a prisão de ventre são problemas muito comuns entre as crianças e podem acarretar prolongada retenção dos resíduos alimentares, eliminação esporádica e irregular de fezes com muito pouca umidade, esvaziamento retal incompleto e superdistensão crônica do cólon e do reto, assim como constantes manchas fecais. A prevenção deste problema concentra-se no restabelecimento do tônus muscular normal do cólon e no estabelecimento de uma terapia que promova a passagem de fezes mais frequentes, brandas e em volume normal. Normalmente, a recomendação inclui aumento do consumo de fibras alimentares e líquidos, já que estes dois componentes promovem a passagem regular de fezes mais brandas e permitem a recuperação do tônus e do funcionamento normal do reto.

Embora o consumo adequado de fibras alimentares esteja relacionado com relevantes benefícios para a saúde das crianças, tem havido certa preocupação no sentido de que os regimes com elevado conteúdo de fibras podem ocasionar efeitos adversos. Esta preocupação concentrou-se na reduzida densidade calórica e na menor digestibilidade dos minerais e de outros nutrientes. As dietas ricas em fibras podem levar as crianças pequenas a um reduzido ganho de energia, já que os alimentos com elevado conteúdo de fibras tendem a ser de maior tamanho e a ter menor densidade energética. O consumo excessivo de alimentos ricos em fibras, ao exigir maior esforço de mastigação, pode desequilibrar os nutrientes, diminuindo a ingestão destes, produzindo uma massa alimentar da maior volume e resultando em insuficiente consumo de energia, tão necessário ao crescimento. Estas circunstâncias são possivelmente desejáveis em termos de controle de peso. No entanto, em outros casos, a fim de evitar estes possíveis efeitos negativos e obter os benefícios das fibras, recomenda-se observar que a ingestão de fibras pelas crianças esteja de acordo com as quantidades recomendadas à idade, conforme orientação das autoridades de nutrição e como parte de uma alimentação balanceada.

Ouro motivo comum de preocupação diz respeito à capacidade que as fibras alimentares têm de reduzir a biodisponibilidade dos minerais, já que alguns alimentos ricos em fibra contêm fitatos que podem formar compostos insolúveis com os minerais, evitando sua absorção e metabolismo normais. Outros alimentos vegetais podem conter ácido oxálico, que talvez interfira com a absorção do ferro.

Os estudos a respeito do efeito das fibras alimentares sobre o equilíbrio dos minerais têm sido, em sua maioria, de curta duração, com utilização de doses elevadas. Por outro lado, o aumento gradual do consumo de fibras alimentares e fitatos, que causam decréscimos drásticos na biodisponibilidade dos minerais, provoca uma resposta fisiológica compensatória que aumenta a absorção intestinal dos minerais em questão (Walker e outro, 1948; Cullumbine e outros, 1950). Desta forma, o comprometimento da biodisponibilidade dos minerais talvez constitua problema somente quando a ingestão desses minerais for inadequada e quando for impossível aumentar a absorção dos mesmos. O importante é manter uma alimentação balanceada, que garanta a ingestão apropriada de minerais durante toda a vida, a partir da infância. Nestas condições, o consumo prudente e adequado de fibras alimentares não deverá causar nenhum problema e poderá trazer relevantes benefícios.

Recomendar a inclusão de fontes de fibras alimentares como parte da alimentação balanceada de crianças sadias maiores de 2 anos de idade é orientação prudente. Se considerarmos conveniente aumentar o consumo de fibras alimentares, esse aumento deverá verificar-se de forma moderada e gradual, por meio da ingestão de frutas, verduras, legumes e cereais ricos em fibras, acompanhados do aumento de ingestão de água. O consumo que muitas autoridades e especialistas da matéria consideram apropriado e seguro para as crianças é que resulta da fórmula “Idade+5”. Essa fórmula oferece razoável segurança para crianças e jovens, mesmo em alguns casos em que a ingestão de minerais é considerada abaixo de ótima, podendo também trazer benefícios à saúde e assegurar o bom funcionamento do aparelho digestivo. Obviamente, o objetivo deve continuar sendo um consumo de fibras alimentares que se enquadre no contexto de uma alimentação balanceada e variada, adequada às distintas fases da vida.


Bibliografia

1. Agostini C, Riva E, Giovannini M. Dietary fiber in weaning foods of Young children.
Pediatrics, 1995: 96:1002-1005.
2. Comissão de Nutrição, Academia Americana de Pediatria. Carbohydrate and dietary fiber.
Em: Pediatric Nutrition Handbook, Barness L.A., ed. (3° ed.). Americam Academy of Pediatrics, Elk Grove Village, IL, 1993.
3. Comissão de Nutrição, Academia Americana de Pediatria. Plant fiber intake in the pediatric diet.
Pediatric, 1981; 67 (4) 572-575.
4. Cullumbine H, Basnayake V, Lemottee J. Mineral metabolism of rice diets. J Nutr 1950; 4:101-111.
5. National Cholesterol Education Program. Report of the espert panel on blood Cholesterol levels in children and adolescents. Pediatrics, 1992: 89 (Suppl): 252-584.
6. Nishimune T, Sumimoto T, Konishi Y, Yakushiji T, Komachi Y, Mitsuhashi Y, Okasaki K, Tsuda T, Ichihashi A, Adachi T, Smanaka M, Kirigaya T, Ushio H, Kasuga Y, Saeki K, Yamamoto Y, Schikawa T, Nakahara S, Oda S. Dietary fiber intake of Japonese younger generations and the recommended daily allowance. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo). 1993; 39:263-278.
7. Walker ARP, Fox FW, Irving JT. Studies in human mineral metabolism. I. The effect of bread rich in phytate on the metabolism of certain mineral salts with special reference to calcium. Biochem J 1948: 42:452-462.
8. Williams C, Bollella M. Is a high-fiber diet safe for children? Pediatrics. 1955; 96:014-1019.
9. Williams C, Bollella M, Wynder E. A new recommendation for dietary fiber in childhood. Pediatrics. 1995; 96:985-988.
10. Williams C. Importance of dietary fiber in childhood. A Am Diet Assoc.
1955; 95:1140-1146, 1149.



Fonte: Dieta e Saúde – Boletim Informativo da Kellogg´s sobre Nutrição e Saúde.

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