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A Gravidez Na Mulher Com Diabetes

Fonte: CozinhaNet

O primeiro conceito fundamental e que deve nortear às portadoras de diabetes e suas famílias é de que poderão engravidar, e atravessar uma gestação de forma tranqüila, levando para casa um recém-nascido saudável.

Ora, isto não é o que se escuta. Conhecemos casos que não foram assim tão felizes. É verdade! 

Existem situações nas quais as coisas não ocorreram bem. Para que possamos vivenciar a alegria do final feliz, torna-se importante entendermos o que ocorre e o que devemos fazer para que tudo dê certo.

Inicialmente, devemos entender que a gravidez é um fato que marca a vida da mulher e de sua família, o qual determina a opção de se agregar uma nova pessoa, com todas as responsabilidades que virão.

Isto por si só, justifica uma programação, um planejamento. Implica em estar com a estrutura familiar definida e apta a receber um novo membro; em estar física e psiquicamente preparada para enfrentar os 9 meses de gestação a ter a predisposição de instalar a maternidade, a função de mãe, para o resto da vida.

Se para uma mulher sem nenhum problema de saúde, isto tudo é importante, para aquelas que apresentam diabetes, este planejamento é primordial.

Necessitamos avaliar previamente as condições de saúde, se permitem uma gestação saudável, sem riscos para a mãe e para o bebê.

A primeira condição é avaliarmos o grau de compensação do diabetes e se já existem seqüelas da doença.

Para liberarmos uma mulher com diabetes para a gravidez é necessário que o perfil glicêmico, isto é, as glicemias no decorrer do dia, estejam compensadas em valores normais, com a comprovação da hemoglobina glicosilada normal.

Isto aumentará a garantia de que a gestação se iniciará de forma ideal, com mínimos riscos de malformações fetais.

Compensar as glicemias, hoje, tornou-se muito factível, com a monitoração fácil e com insulinas diversificadas, de forma que a mulher pode perfeitamente programar-se e liberar-se para a gravidez quando estiver perfeitamente compensada.

Algumas mulheres portadoras de diabetes que não faziam uso de insulina, que se compensavam com dieta e/ou hipoglicemiantes orais, deverão adaptar-se com dieta e insulina pré-gestação, pois na gravidez deverão evitar o uso de comprimidos.

Outro item importante antes de se permitir a gravidez é a necessidade de se avaliar as funções sistêmicas, como pressão arterial, função renal, fundo de olho, e tentar mantê-las o mais normal possível.

Desta forma, a mulher com diabetes, engravidando compensada sem problemas sistêmicos importantes, deverá ter um seguimento pré-natal especializado visando permitir a manutenção deste equilíbrio.


HORMÔNIO

O que ocorre na gravidez em geral é que as necessidades de insulina são crescentes com o avançar da idade gestacional, fato que é naturalmente compensado nas não diabéticas, nas quais o pâncreas produz maior quantidade do hormônio com o desenvolvimento da gestação.

Em algumas mulheres, isto não acontece, e à partir de um determinado momento, a insulina que é produzida pelo pâncreas não é a suficiente para a manutenção da glicemia normal, o que irá determinar hiperglicemias, caracterizando o chamado diabetes gestacional.

Nas mulheres com diabetes antes da gravidez, a insulina administrada necessitará readaptação de suas doses continuamente, durante o evoluir do tempo de gestação, tentando simular o que ocorreria fisiologicamente numa mulher sem a doença.

De forma prática, o que acontece é que a glicemia da gestante deve permanecer em valores normais, isto é, abaixo de 90 no jejum e no decorrer do dia, abaixo de 120mg/dl. Quando numa mulher que não era portadora de diabetes, e que, como já dissemos, não consegue acompanhar a produção de insulina, poderá começar a subir a glicemia, necessitando instituir a dieta e muitas vezes a insulina.

As obesas, as mulheres que têm história familiar de diabetes e as que tiveram filhos com mais de 4Kg, são as mais sujeitas a desenvolver o diabetes gestacional, sendo que no pré-natal, o obstetra tem a obrigação de investigar todas as grávidas tentando identificar quem estaria sujeita a estas alterações.

Nas mulheres com diabetes pré-gestacional, o aumento da necessidade de insulina determinado pela gravidez, implica em se monitorizar permanentemente o perfil glicêmico através da “ponta de dedo”, no jejum e 2 horas pós refeições, tentando-se manter nos padrões normais, ajustando-se novas doses de insulina à medida que for necessário.

A manutenção do perfil glicêmico dentro do normal é importante, pois quando está elevado, este excesso de glicose pode refletir-se na glicemia do feto, determinando nele, um aumento na produção de insulina, com elevação de sua insulinemia. Este hormônio elevado no feto irá determinar um aumento nos depósitos de gordura, caracterizando o feto grande para a idade gestacional (mais de 4Kg), que ao nascer poderá ter hipoglicemias importantes no berçário, além de problemas respiratórios (desconforto respiratório), que poderá ser grave podendo levar ao óbito neo-natal.

Outros problemas decorrentes deste descontrole materno poderão acarretar repercussões tanto para o feto como para o recém-nascido.

Devemos entender que a busca do controle metabólico da gestante diabética, implica em variações de glicemias, podendo determinar hipoglicemias até acentuadas (que se controladas de forma correta, não acarretarão riscos para o bebê), porém o importante é tentarmos manter o melhor controle possível.


DIETA

Pequenas oscilações, ou algumas dificuldades no controle não devem desesperar a mulher, pensando que está prejudicando seu filho. O importante é a conscientização de que devem fazer uma dieta equilibrada, exercícios físicos, se possível, procurar conhecer seu perfil glicêmico e buscar o melhor controle. Desta forma, poderemos levar a gestação até o fim, com a certeza de que poderemos ter um feto maduro e que sem repercussões do diabetes materno, possa ter alta do berçário em boas condições.

Finalizando, a orientação é a seguinte: a mulher com diabetes deve fazer um planejamento familiar, com método contraceptivo eficaz e compensar as glicemias antes de engravidar. Ser avaliada pelo médico para ver se está apta a liberar a gravidez, tanto do ponto de vista do diabetes, quanto nos demais (vacinações etc.).

Fazer uma dieta constante, automonitorização, acertos das doses de insulina e um bom pré-natal onde se acompanhe a evolução da grávida, do diabetes e do feto com seguimentos ultra-sonográficos atestando a normalidade do bebê e a avaliação da sua vitalidade.

Outros exames como eco-cardiograma fetal também são úteis atestando a normalidade do coração fetal (que poderia ser um dos focos de malformações).

A associação de uma gestante consciente e participativa com o diabetólogo e o obstetra que conheçam e se envolvam no controle da gravidez garantirá o seu sucesso, culminando com uma mãe saudável e feliz com seu bebê no colo sendo amamentado.


Por Dr. Mauro Sancovski – Professor de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC

Fonte: 
Novos Horizontes – Uma publicação trimestral da Associação de Diabetes Juvenil ADJ / Ano 2 N° 15

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